CONHECER A FUNDO O QUE É FABRICADO E COMO É COMERCIALIZADO É PONTO-CHAVE PARA A VANTAGEM COMPETITIVA

Admiro empresas e profissionais que estudam a fundo as reações que ocorrem antes e durante a vida útil dos seus produtos. Acredito que tenham o claro entendimento do que acontece nos ambientes macro (desgaste, quebra, corrosão externa, alterações de cor, vazamento, colapso das embalagens, entre outros) e micro (por exemplo, corrosão no interior das embalagens, deterioração do princípio ativo, oxidação de vitaminas e rancificação de gorduras) de cada unidade produzida. É, portanto, muito mais do que o puro e simples acúmulo de informações. Trata-se de dar a elas o tratamento correto para que sejam transformadas em competências, como mostrado no texto “Informações e conhecimento: avidez versus cansaço” publicado na edição anterior (edição 406 / janeiro 2024) da revista EMBANEWS. Conhecer a fundo o que é fabricado e o ambiente às vezes inóspito em que são comercializados é ponto chave para ter vantagem competitiva e, obviamente, contribuir de forma decisiva para o sucesso da empresa.

Para ilustrar essa “viagem interna” recorro a um pequeno vídeo disponível no LinkedIn, cujo primeiro quadro é mostrado na Figura 1. O trajeto parte da visão externa de uma mão humana de 20 centímetros, passa pelas células da pele (30 micrômetros), pelo núcleo dessas células (6 micrômetros), pela mitocôndria (2 micrômetros) e chega nos quarks (0,001 atômetro). É um maravilhoso olhar aprofundado.

Talvez seja um exagero exigir que os profissionais conheçam tão profundamente o que ocorre com o produto que está protegido pelo recipiente fabricado com qualquer um dos materiais disponíveis no mercado. No entanto, quanto melhor conhecer, mais competente será na sua missão protetora. É essencial ter em mente que a embalagem é o verdadeiro “guarda costas” do conteúdo, como no filme do mesmo nome. Só há sucesso na sua missão após conhecer detalhadamente o comportamento da personagem sob sua responsabilidade.

Duas questões me vieram à mente após assistir ao vídeo:

  • Como colaborar na formação crítica, questionadora e perspicaz do corpo técnico que atua no setor, de modo que ela esteja sempre presente de forma colaborativa na jornada rumo à vantagem competitiva das empresas?

Volto ao texto “Informações e conhecimento: avidez versus cansaço” citado acima e ressalto a necessidade de se criar “Ambientes BA” nas empresas para minimizar a crise de talentos preconizada pela consultoria Korn Ferry. Além disso, de algum modo (atitudes organizacionais, políticas públicas etc.), há que se romper o padrão “nem-nem ” que alimenta a citada crise de talentos.

  • Haverá um modo de evitar a superficialidade de tomar decisões rápidas e nem sempre mais acertadas?
    É preciso substitui-la pelo questionamento inteligente que constrói cenários mais claros para as consequências possíveis da decisão tomada por exemplo, ao lançar um produto no mercado.

Estabelecer a vida útil de um produto requer saber o que o consumidor deseja e conhecer no detalhe como o produto se deteriora. Isso demanda tempo e competência!

Além dessas questões, tenho em mente que é essencial despertar os packaholics para uma visão de futuro, alertá-los e prepará-los para enfrentar os próximos anos, que, provavelmente, serão ainda mais difíceis. Recomendo a leitura do texto “Como mudar o mundo? ”e atentar para as referências bibliográficas citadas pela autora.

Finalizo este texto com otimismo: há muito o que fazer! São muitas oportunidades a explorar. Mãos à obra!!!

FIGURA 1 – IMAGEM INICIAL DO OLHAR APROFUNDADO DA MÃO HUMANA
Figura 1 – Imagem inicial do olhar aprofundado da mão humana
Autor
Colunista Antonio Cabral

Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia (CEU/IMT).