Vislumbra-se o futuro promissor do design, área tão importante para o crescimento sustentável da sociedade. O design envolve criatividade e protagonismo. Aprende-se através dos grandes autores e principalmente pelos professores que facilitaram a sistematização das ideias e a criação de métodos para que outros designers pudessem replicá-los, é isso que diferencia a atuação, um bom projeto de design é composto por 70% planejamento e 30% criatividade.
O design está inserido em um sistema complexo e multidisciplinar. A cada novo projeto o designer aprende sobre outras áreas do conhecimento – o ramo de atividade dos clientes – e assim cria-se um repertório ao longo dos anos de profissão. Soma-se a esta complexidade a necessidade de inclusão de soluções para redução de impacto ambiental. A fundação Ellen MacArthur, pioneira nos estudos em economia circular afirma que 80% do impacto ambiental poderia ter sido evitado nas fases de projeto. Percebe-se a importância que o designer tem neste contexto.
A área de design de embalagem é relativamente nova no Brasil, enfrenta-se dificuldades em atuar no mercado, encontrar espaço é uma tarefa desafiadora. É difícil saber quanto cobrar por um projeto, a régua vai subindo a cada prêmio e trabalho entregue. O profissional desta área precisa de muitos anos de trabalho e enfrentamento de desafios para sobrevivência. Existem muitos pontos a serem melhorados, como a definição de papéis dentro do ciclo de vida da embalagem. Afinal, quem desenha, é o cliente, fornecedor, agência ou todos juntos?
Apesar de todos os desafios como em qualquer área de atuação, vale a pena ser designer, aprende-se muito ao longo da jornada e é compensador quando vimos os projetos no mercado. As associações de design contribuem para romper barreiras e profissionalizar o mercado. A integração entre a academia e o mercado como fonte assertiva de soluções é um caminho tangível a ser melhor explorado.
O designer contribui para o mercado não apenas na embalagem, as áreas de atuação são múltiplas e crescem a cada ano. As empresas estão percebendo o papel do pensamento em design para o crescimento e manutenção dos seus modelos de negócio. As enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul evidenciaram o papel do design na concepção de artefatos emergenciais e na reconstrução rápida e necessária das residências de quem perdeu tudo.
O design e a criatividade estão na alma dos brasileiros. Estamos avançando internacionalmente, a cada ano novas empresas de design de embalagem prestam serviços para outros países. As multinacionais abriram espaço para atuação global dos brasileiros por perceberem sua flexibilidade e criatividade. A malemolência do brasileiro conquistando outros espaços.
Em nosso contexto, é necessário promover um diálogo com toda a cadeia da embalagem e incentivar a promoção de novos projetos que leve em consideração todos os requisitos projetuais para desenvolver embalagens ideias, que cumpram suas funções, aumente a competitividade dos negócios e que cause o menor impacto ambiental.
As empresas crescem quando estabelecem conexões e parceiras confiáveis e duradouras. O design é um hub de novas possibilidades e recebe de braços abertos os olhares multidisciplinares necessários para a construção de novas ideias.
Publicitário, Mestre em Design, Doutor em Engenharia de Produção e Pós-Doutor em Design Sustentável, Pesquisador, Consultor e Professor. Presidente da AP Design e Diretor da Mudrá Design.