Em algumas áreas do conhecimento no Brasil, a pesquisa acadêmica ainda se encontra distante da realidade de mercado, por outro lado, as áreas relacionadas a saúde buscam soluções baseadas na ciência, como o desenvolvimento de um novo tratamento médico ou um medicamento, por exemplo.
Segundo dados do ministério da educação, em 2020 foram produzidas 178.729 publicações entre artigos, dissertações e teses, divididos em 4.601 programas de pós- -graduação e distribuídos em 49 áreas. Estima-se que em torno de 53% destas áreas de conhecimento possuem uma relação direta com a embalagem, dentre elas destacam-se o design, as engenharias, administração, agronomia, nutrição, farmácia, comunicação, dentre outras.
Comparando com os números de mercado, os dados publicados pela Associação Brasileira de Embalagem mostram que a produção física de embalagens em 2023 atingiu o faturamento de R$ 144 bilhões, empregando 268.017 trabalhadores, representando 3,35% da indústria de transformação.
Percebe-se um esforço coletivo em desenvolver soluções para embalagens mais eficientes, porém, em nossa área há um desencontro entre a academia e o mercado. É possível encontrar artigos publicados com métodos e soluções aplicáveis e factíveis, mas não validados em escala pelas empresas, percebe-se que as áreas de pesquisa e desenvolvimento das empresas nem sempre consultam os repositórios acadêmicos e/ou os pesquisadores na busca de soluções. Por uma questão de concorrência e sigilo, dados relevantes para a construção de conhecimento coletivo não são publicados.
As empresas enfrentam dificuldades burocráticas em formalizar parcerias com universidades públicas e privadas, esse pode ser um dos fatores que influenciam no afastamento das áreas. O prazo para desenvolver um projeto nem sempre acompanha as necessidades mercadológicas. As vezes o tempo para aprovar um edital de parceria público/privado pode ser mais longo do que o próprio prazo para desenvolver a solução.
Por atuar nas duas áreas e desenvolver soluções integradas, recomendo que o ponto de partida para uma aproximação é buscar informações sobre as pesquisas que estão sendo feitas no Brasil e entrar em contato com os programas de pós-graduação. Somos um dos principais países no ranking de pesquisa no mundo, temos um corpo de cientistas reconhecidos mundialmente, muitas vezes atuando fora por falta de reconhecimento e oportunidade no Brasil. Outro ponto relevante é entender quais são os prazos de cada tipo de projeto e adequar as necessidades. Projetos de médio a longo prazo se adaptam melhor ao contexto acadêmico, o tempo de aprovação da proposta e a imersão no contexto do problema são necessários para o desenvolvimento de uma pesquisa em maior profundidade.
Dado a relevância da área da embalagem no Brasil e no mundo, é necessário propor soluções completas e assertivas que atendam as demandas dos envolvidos e do contexto de cada projeto, buscando sempre a redução de impacto ambiental, evitando assim, falhas e desperdícios.
A área acadêmica foi decisiva para o desenvolvimento do tratamento para combater a pandemia COVID 19 e as indústrias agiram rapidamente. Os dados e soluções apresentadas pelas universidades do Rio Grande do Sul auxiliaram fortemente na tomada de decisão para mitigar os impactos causados pelas fortes enchentes.
O objetivo deste artigo é introduzir o olhar sobre a importância de unir forças para o desenvolvimento mais assertivo sobre projetos de embalagens, principalmente no contexto da sustentabilidade, e contribuir para aproximar a área acadêmica e o mercado na busca de soluções que contribua para a integração da embalagem com os usuários e o planeta.
Publicitário, Mestre em Design, Doutor em Engenharia de Produção e Pós-Doutor em Design Sustentável, Pesquisador, Consultor e Professor. Presidente da AP Design e Diretor da Mudrá Design.