A expressão “efeito borboleta” ficou popular através de um filme com o mesmo nome, lançado em 2004. O personagem principal volta ao passado para tentar corrigir traumas da sua infância, alterando sua própria história. Porém, ao fazer isso, ele acaba criando problemas e gerando consequências em seu futuro. Na ciência, a teoria do Caos ou efeito borboleta é um fenômeno, contido nas relações entre os sistemas que constituem a natureza, podendo ter amplas e imprevisíveis consequências. O fenômeno foi descrito pelo pesquisador Edward Lorenz, meteorologista do MIT, em 1969.

Os sistemas complexos como a natureza ainda possuem elementos que ultrapassam a nossa compreensão. O efeito borboleta, utilizado para descrever as grandes mudanças, deve ser visto como uma oportunidade de entender os fenômenos de maneira sistêmica. Por outro lado, é necessário termos precaução e ampliar a percepção de nosso desenvolvimento à complexidade dos sistemas que regem a natureza e que questionam a nossas certezas. Qualquer abordagem de integração do meio ambiente começa pelo conhecimento dos fluxos e os seus impactos.

Se considerarmos a mesma linha de pensamento quando desenvolvemos uma embalagem, percebemos pontos convergentes. A embalagem pode ser classificada como complexa e sistêmica, abrangendo interações previsíveis e/ou inesperadas entre suas partes e processos, devendo, portanto, ser considerada sob a perspectiva de todo o seu ciclo de vida. Existem relações internas em cada uma das etapas e as relações entre elas.

É preciso ir além do olhar sobre o ciclo de vida, a embalagem cumpre funções que se ampliam ao longo do tempo, possuem uma classificação e um sistema de embalagem e componentes necessários até o produto chegar aos consumidores. Além disso, deve atender os anseios de um grupo de pessoas e empresas envolvidas, geralmente com objetivos distintos. Atualmente, é impossível deixar de lado os aspectos relacionados a redução de impacto ambiental. A embalagem é parte integrante do produto e ambos refletem no meio ambiente, é preciso desenvolver projetos com este olhar e considerar uma solução coerente para o seu fim de vida.

Quando passamos pelas gôndolas dos supermercados e nos deparamos com um universo de embalagens, dificilmente refletimos sobre toda a jornada que a ela enfrentou para estar lá e o quanto ela ainda irá percorrer até chegar em seu fim de vida, ou recomeço, caso consigamos desenvolver uma embalagem circular.

Uma recomendação importante, além do entendimento prévio sobre o que é uma embalagem de fato, é utilizar um método para o desenvolvimento, que considere toda essa complexidade. Faça testes preliminares, produza mockups físicos, apresente aos envolvidos antes da produção em série. É necessário pilotar com um lote pequeno e testar o seu desempenho na produção da embalagem, transporte, processo de envase, exposição no ponto de venda, interação da embalagem com o usuário e o correto destino quando ela cumprir todas a sua missão.

A partir deste olhar técnico, sistêmico e cuidadoso no desenvolvimento de uma nova solução, conseguiremos desenvolver projetos mais assertivos. Mesmo assim, percebemos falhas ou pontos de melhorias em embalagens circulando no mercado. Retomando a frase mencionada no início deste artigo “os sistemas complexos ainda possuem elementos que ultrapassam a nossa compreensão”.

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Autor
Colunista Ricardo Sastre

Publicitário, Mestre em Design, Doutor em Engenharia de Produção e Pós-Doutor em Design Sustentável, Pesquisador, Consultor e Professor. Presidente da AP Design e Diretor da Mudrá Design.