EXPLORANDO AS NUANCES DA VISÃO SISTÊMICA NA INDÚSTRIA DE EMBALAGENS, ATRAVÉS DA JORNADA DE APRENDIZADO E REFLEXÃO CONSTANTE
Não existe receita pronta para desenvolver visão sistêmica. Importa compreender, em primeiro lugar, que é uma jornada que exige permanente reflexão e atenção ao entorno. É preciso ler e ouvir bastante, especialmente, as muitas histórias contadas pelos especialistas e nelas encontrar os pontos aplicáveis ao cotidiano.
Acredito que ainda caminho nessa jornada, aplicando o que foi aprendido ao universo que hoje, de forma ousada, chamo de Sistema Embalagem. Ouso compartilhar essa experiência com os leitores e leitoras.
Tudo começou quando um professor do CEAG / FGV, em 1985, trouxe o vocábulo “SISTEMAS” à tona, em meio a muita leitura de livros e artigos. Os textos eram agradáveis e, para mim, em certos aspectos, quase visionários. Despertaram nova compreensão para a geopolítica e para os processos industriais, nos quais estava praticamente enfurnado.
No momento seguinte, descobri a Teoria Geral dos Sistemas1, uma leitura mais complexa que, anos depois, seria um dos pilares da minha tese de doutorado2. Esse livro foi essencial para transformar minha visão linear de embalagem, quase petrificada desde a formatura em 1975, em sistêmica. Após esse “clic”, diversifiquei continuamente o aprendizado em empresas e instituições de ensino, notadamente a Mauá.
O fato marcante nessa história ocorreu com o convite formulado em 1989, pelo professor Gustavo Leonhardt para ministrar aulas no curso de Engenharia de Alimentos da Mauá. Ele me “apresentou” o livro A Quinta Disciplina3, escrito por Peter Senge, que tem sido inseparável companheiro desde então. A ilustração evidencia a importância das cinco disciplinas para construir o conhecimento e entender o papel dos agentes de uma cadeia produtiva. Em síntese:
a) indivíduos precisam ter domínio pessoal (leia-se ter claro projeto de vida) e ajustar, permanentemente, seus modelos mentais (quebrar paradigmas);
b) os times ou grupos devem ter objetivos comuns e aprender em conjunto;
c) assim procedendo, entenderão o próprio papel e o dos demais agentes do ambiente externo (cadeia produtiva em que atuam) e, consequentemente, as relações entre eles.
Cabe citar neste ponto uma frase atribuída a Francis Bacon – “conhecimento é poder” – e a fala do filósofo John Gray4 – “o conhecimento não liberta o homem, apenas aumenta seu poder” para formular uma pergunta: quem comanda a cadeia produtiva na qual sua empresa atua?
Para transformar em conhecimento e em competências as abundantes informações disponíveis, Nonaka e Takeuchi5 (leitura essencial que não canso de citar) incentivam reuniões rápidas e diárias (Ambientes BA) sobre os vários aspectos empresariais e pessoais para construir vantagens competitivas, por vezes confundidas com poder.
A visão sistêmica traz consigo duas inquietações:
a) a abordagem pejorativa dada às embalagens, notadamente os plásticos, em vez de reconhecer o valor (sistêmico) que adicionam à vida ao proteger o que contém e apoiar o combate universal à fome;
b) o aparente pouco autocuidado dos profissionais com a educação continuada para enfrentar as próximas turbulências. A esse respeito recomendo, uma vez mais, a leitura de dois relatórios do Fórum Econômico Mundial: Future of Jobs 20206 Future of Jobs 20237 e de uma publicação da empresa Korn Ferry8, datada de 2018, mas atualíssima. São excelentes guias para quem quer se preparar e não ter surpresas com os tempos que se aproximam.
Acertadamente, em 1998, a Mauá lançou o curso de Pós-graduação em Engenharia de Embalagem, que, ano após ano, se atualiza e, por que não dizer, se reinventa, mantendo o olhar sistêmico.
Em síntese, é mandatório que os packaholics desenvolvam e mantenham viva a visão sistêmica numa jornada que requer atenção contínua. O tempo perdido com vacilos pode ser irrecuperável!
Saiba mais:
- VON BERTALANFFY, L. Teoria Geral dos Sistemas. Trad. Francisco M. Guimarães. Petrópolis: Vozes, 1973. 351p.v
- CABRAL, A. C. D. – A teoria das restrições aplicada ao estudo de cadeias produtivas de alimentos. São Paulo, 2003. 251p. Tese (Doutorado) – Orientador: Prof. Dr. Afonso Fleury Escola Politécnica – USP -.
- SENGE, P. A quinta disciplina. 14.ed. Trad. Regina Amarante. São Paulo: Best Seller, 1990. 352 p.
- https://acesse.dev/yt6Fm, último acesso em 13 de abril de 2024.
- NONAKA, I. A empresa criadora de conhecimento. In: HARVARD BUSINESS REVIEW. Gestão do conhecimento. Trad. Afonso Celso da Cunha Serra. Rio de Janeiro: Campus, 2000. p.27-49.
- https://acesse.dev/LjNYI último acesso em 13 de abril de 2024.
- https://l1nq.com/hfGfA último acesso em 13 de abril de 2024.
- https://encr.pw/rCvO1 , último acesso em 13 de abril de 2024.

Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia (CEU/IMT).