Gestão do novo presidente-executivo visa fortalecer o setor de embalagens de papel no Brasil e no exterior

O Embaixador José Carlos da Fonseca Junior assumiu a presidência executiva da Associação Brasileira de Embalagens em Papel, Empapel, em setembro de 2023, com o desafio de liderar a entidade em seu objetivo de consolidar e fortalecer ainda mais a representação da cadeia das embalagens de papel. Ele é oriundo de uma longa trajetória na carreira diplomática, com funções no Brasil e no exterior, que recentemente foi complementada por uma rica experiência no setor privado, já que, desde 2019, foi o Diretor-Executivo da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores).
Aprovado em concurso ao Instituto Rio Branco em 1980, o Embaixador José Carlos teve formação acadêmica em Direito e Relações Internacionais. Ao longo da carreira, em diversos momentos trabalhou na área da promoção comercial e da diplomacia econômica, no Itamaraty e em postos no exterior.
Além disso, por duas vezes exerceu funções no Ministério da Economia/Fazenda, tendo sido Chefe de Gabinete do então Ministro Pedro Malan, entre 1996 e 1998. Foi Embaixador do Brasil em Yangon, Myanmar, além de Ministro Conselheiro em Nova Delhi, Índia. Também serviu duas vezes em Washington (DC), nos EUA, bem como em Ottawa, Maputo, Abu Dhabi, Santiago e Manila.
Licenciado da carreira diplomática, o Embaixador Fonseca também foi Deputado Federal, entre 1990-2003, representando seu estado de origem, o Espírito Santo, onde atuou também como Secretário da Fazenda e Secretário-Chefe da Casa Civil.
O Embaixador Fonseca cumpre mandato como membro do Comitê Diretor do The Forests Dialogue (TFD) e do International Council of Forest and Paper Associations (ICFPA), além de ser o Vice-Presidente do Advisory Committee on Sustainable Forest-based Industry (ACSFI/FAO). Desde dezembro de 2021, tornou-se co-facilitador da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, representando o setor privado naquela plataforma de diálogo multissetorial composta por mais de 350 membros que representam o setor privado, o setor financeiro, o mundo acadêmico e as ONGs.
EMBANEWS: Quais são as suas metas à frente da Empapel neste novo ano que se inicia?
EMBAIXADOR FONSECA: Um dos principais objetivos da criação da Empapel foi o de ampliar o escopo de trabalho de representação para além do papelão ondulado, a fim de abranger os demais papéis para embalagem e as embalagens em papel, de um modo geral. Em 2024, seguiremos com esse trabalho de consolidação e fortalecimento da Empapel, no Brasil e no exterior. O ano de 2023 foi bem positivo também em termos de exposição para a Empapel. A associação realizou diversos eventos, além de participar de encontros, workshops, congressos, conferências e convenções no país, colocando a associação na rota dos realizadores do setor. Para 2024, nossa meta é intensificar ainda mais esse ritmo e trazer novidades em termos de realizações, tanto do ponto de vista de participação e produção de eventos, como de ações de marketing e comunicação. Além disso, vamos aumentar a integração com nossas empresas associadas, que tenciono visitar pessoalmente, até para delas colher recomendações e orientações sobre o desenvolvimento de nosso setor.
EMBANEWS: Qual a sua avaliação sobre o desempenho do setor de papelão ondulado em 2023?
EMBAIXADOR FONSECA: O Brasil hoje é o sétimo maior produtor mundial de Papel Ondulado, e tem espaço para galgar posições nesse ranking. Em termos de expedição de papelão ondulado, na comparação com 2022, em 2023 houve aumento de 0,7% (segundo prévia da Empapel de dez/23). Isso indica a retomada de crescimento do setor. Os últimos resultados divulgados pela prévia dos indicadores da Empapel sinalizam que o Índice Brasileiro de Papelão Ondulado (IBPO) subiu 4,1% em dezembro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Em termos de volume, a expedição de caixas, acessórios e chapas de papelão ondulado alcançou 315.463 de toneladas no mês. O resultado é inferior ao do atípico dezembro de 2020 (326.756 toneladas), porém superior ao mesmo mês, em 2021 e 2022. Portanto, 2023 teve o quarto dezembro consecutivo com números de expedição acima de 300 mil toneladas.
EMBANEWS: Em quais segmentos o setor se destacou?
EMBAIXADOR FONSECA: Setores resilientes no fornecimento de embalagens para bens não duráveis, como alimentos e produtos de limpeza, foram os que mais impactaram. O e-commerce, embora em menor ritmo, e a busca por embalagens mais sustentáveis também colaboraram para a performance no período. Destaco também o crescimento de soluções em papel sackraft para o segmento de flexíveis, com envelopes para atender o segmento de vestuário, recicláveis, biodegradáveis e compostáveis. No segmento de embalagens flexíveis, no Brasil, esperamos um crescimento de 3% a 4% a.a. até 2030, considerando não somente o e-commerce, mas todos os usos destas embalagens, inclusive o delivery de alimentos e a construção civil. Além do crescimento orgânico projetado para estes segmentos, é esperado que estes produtos também ganhem market share de embalagens que hoje são feitas em plástico.
EMBANEWS: Quais são as perspectivas do setor para 2024?
EMBAIXADOR FONSECA: Os dados mais recentes da FGV/IBRE sobre o crescimento do setor dão conta, em cenário moderado, de uma previsão de expedição próxima a 2023 (cerca de 4 milhões de toneladas de embalagens de papelão ondulado), mantendo os níveis de crescimento observados em 2023 e 2022. O relatório FOCUS do Banco Central projeta crescimento de 1,5% para o PIB brasileiro, com influência do aumento de consumo das famílias brasileiras. Por outro lado, teremos também uma mudança estrutural na maneira como comunicamos nossos dados. A partir de 2024, introduziremos a informação do IBPO Índice Brasileiro de Papelão Ondulado) em mil metros quadrados, nos alinhando aos indicadores globais. Teremos informação que será mais aderente ao número de embalagens colocadas no mercado.
EMBANEWS: Como vê o os principais desafios e oportunidades para o setor diante das demandas climáticas e de sustentabilidade?
EMBAIXADOR FONSECA: O consumidor, de uma maneira geral, vem cobrando dos fabricantes e do varejo uma mudança, no sentido de oferecerem alternativas cada vez mais sustentáveis. O mercado de embalagem de papel e papelão ondulado vem-se movendo fortemente nessa direção, em boa sintonia. Desta forma, nos últimos anos, temos visto cada vez mais a adoção de metas de sustentabilidade por grandes brand owners e governos no mundo, com foco em soluções de embalagem que venham de fontes renováveis, sejam recicláveis, biodegradáveis e que, sempre ue possível, sejam ao menos parcialmente recicladas. Nossos grandes desafios sempre estão no segmento de inovação e tecnologia para transformar os produtos em versões ainda mais adequadas às crescentes exigências dos consumidores, especialmente aos das novas gerações. Investimentos em pesquisa, desenvolvimento e em tecnologia estão na pauta das indústrias produtoras de papéis e embalagens, com investimentos para produção de materiais mais leves, inteligentes, resistentes e prontos para substituição das embalagens plásticas. Além disso, o setor de embalagens de papelão ondulado segue com anúncios de novas operações.
No funil da inovação, os fabricantes estão desenvolvendo projetos 100% de fonte renovável para atender a essas demandas dos consumidores: papéis, barreiras e demais insumos. Sacolas, copos, bandejas de papel, sacaria de papel para alimentos já são realidade. Mas podemos avançar muito mais, sempre com uso racional das fibras, atento à sustentabilidade do processo produtivo em toda a cadeia, até chegar ao consumidor e ao pós-uso, com correta destinação dos resíduos e circularidade. Afinal, todos nós e cada um de nós somos responsáveis pelo enfrentamento das mudanças climáticas e pela reversão da perda da biodiversidade.
Saiba mais:
https://empapel.org.br
Diretor e Editor Chefe da publicação EMBANEWS.