CONSTRUIR O CONHECIMENTO A PARTIR DE UMA BASE ESTRUTURADA DE INFORMAÇÕES REQUER EQUILÍBRIO

Início de 2024!!! Muitos planos foram feitos no final do ano que passou e parte deles é alicerçada no “aprender mais”. Os profissionais de embalagem estão ávidos na busca de informações que possam ser transformadas em conhecimento. É hora de agir!

Ao longo do tempo, para facilitar a busca da tão sonhada vantagem competitiva de profissionais e empresas e seus ambicionados resultados financeiros, esquematizei a estratégia mostrada na Figura 1 abaixo.

ilustração com o diagrama da estratégia de transformação de informação em vantagem competitiva

A base é constituída por informações que são cada vez mais abundantes e carentes de curadoria para distinguir aquelas que, realmente, são alinhadas à estratégia. Essa abundância, um verdadeiro bombardeio, causa uma certa insatisfação, pois “nunca se sabe tudo o que é preciso saber”. É essencial ter em mente a frase atribuída a Sócrates que “tudo o que sei é que nada sei3”, para evitar que a citada avidez se torne companheira constante. Se não for estabelecido um limite claro nessa procura, chega o cansaço, que interrompe o aprendizado.

Não temos a capacidade de ler e entender tudo o que está disponível nesse “mundo da embalagem” e, apesar de termos memória suficiente nos nossos HD’s (interno e externos), não temos tempo na vida para acessar tudo isso. Sugiro que o(a) leitor(a) administre a sua avidez para evitar se perder e, no limite, não ter aprendido nada a partir do oceano de dados obtidos. É essencial gerenciar a avidez para gerenciar o cansaço. Cabe aqui uma crítica: muitas empresas simplesmente “deixam de lado” projetos e dados passados, como se eles fossem descartáveis num “housekeeping” que destrói a história. Os experimentos vão se repetir e, com ele, os erros e os acertos.

Inicia-se, em seguida, a etapa de criação do conhecimento que é a análise crítica das informações relevantes e o seu alinhamento à estratégia traçada. Para tanto, é necessário dedicar tempo, quase nunca disponível. No entanto, o chegar à vantagem competitiva não pode ser atribuído à sorte. É preciso trabalhar muito!

Por sua vez, o conhecimento deve ser transformado em competência, definida como o “saber agir com a responsabilidade exigida4”. Para tanto, recomenda-se criar Ambientes BA que preconizam o aprendizado em células em vez da tradicional abordagem linear. Trata-se de uma prática que realmente adiciona valor ao negócio e pode indicar correções de rumo para a empresa. Uma vez mais, há a demanda tempo, recurso cada vez mais escasso.

Os competentes e conhecedores da estratégia conseguirão identificar oportunidades de inovação como definidas no Manual de Oslo5 ou publicações correlatas e, dentre elas, aquela que, realmente será, a vantagem competitiva desejada e os ganhos dela advindos.

O que se pretende no Curso de Pós-graduação em Engenharia da Embalagem da Mauá é construir o conhecimento a partir de uma base estruturada de informações como as desejadas competências alinhadas à estratégia que desenharam. Cada um no seu tempo, transformará esse processo em inovações e vantagens competitivas que gerarão recursos para assegurar o sucesso.

É preciso controlar a excessiva avidez para evitar cansaço, stress, burn out, entre outros tão frequentes desestímulos nesse caminho.

Saiba mais:

  1. TAKEUCHI,H. NONAKA,I. Gestão do Conhecimento. Tradução Ana Thorell. Porto Alegre: Bookman, 2008. 320p.
  2. TIDD, J.; BESSANT, J.; PAVITT, K. Managing innovation. West Sussex: John Willey & Sons, 1997. 375p.
  3. https://encr.pw/fIGtV
  4. FLEURY, A; FLEURY, M. T. L. Estratégias empresariais e formação de competências. São Paulo: Atlas, 2000. 169p.
  5. Manual de Oslo – Proposta de Diretrizes para Coleta e Interpretação de Dados sobre Inovação Tecnológica – 4ª Edição – Copyright OECD, 1997 – Traduzido em 2004 sob a responsabilidade da FINEP — Financiadora de Estudos e Projeto – disponível em https://acesse.one/ZJepa, último acesso em 14 de janeiro de 2024.

Autor
Colunista Antonio Cabral

Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia (CEU/IMT).