COMO CONCILIAR ESSAS PRÁTICAS NO DESENVOLVIMENTO DE EMBALAGEM?

A princípio, parece que estamos falando de coisas antagônicas quando pensamos em olhar com minúcia e no pensar fora da caixa. Entretanto, esse é certamente um dos desafios enfrentados por quem tem pela frente a missão de desenvolver uma boa embalagem.

Começando pelo olhar minucioso, certamente o mais desafiador seja transformar as ideias e sentimentos sobre um produto em uma embalagem. Para isso, todo e qualquer detalhe na coleta do briefing junto ao cliente é determinante para dar vazão a todos os possíveis caminhos nesse desenvolvimento. Abaixo algumas perguntas e seus caminhos:

1) Qual é o desejo em termos de posicionamento desse produto no mercado?

Se for um produto premium podemos começar a pensar na opção de papelcartão que ofereça essa percepção ao consumidor. Uma opção, por exemplo, é a utilização de papelcartão sólido, totalmente produzido com celulose branqueada. Caso estejamos com o desafio de desenvolver uma embalagem de um produto já existente, mas que necessite de garantia de uma alta performance em máquina, o caminho para a escolha do papelcartão é diferente. Nesse caso será necessário saber quais serão as condições da linha de produção dessa embalagem para definir a especificação que oferecerá as condições técnicas adequadas para atender a linha de produção.

2) Qual (ais) são seus concorrentes diretos?

Estudar as embalagens dos concorrentes diretos é importante em vários sentidos. Primeiramente para entender esse mercado com mais detalhes, assim como ter a oportunidade de encontrar pontos de melhoria para superar as expectativas encontradas no sistema de embalagem atual.

3) Qual é o valor agregado do produto?

Para adequar os acabamentos gráficos que mais farão sentido para determinada embalagem, é necessário saber qual o valor agregado do produto. Quanto mais alto ele for, maior a liberdade em incluir acabamentos especiais, desde vernizes, hot-stamping, relevo seco, dentre outros. Em contrapartida, produtos com baixo valor agregado não permitem a inclusão de muitos acabamentos diferenciados, pois o custo da embalagem acabaria inviabilizando o lançamento desse projeto.

Agora, quando iniciamos o exercício de “pensar fora da caixa”, que é a melhor parte e a mais prazerosa para quem trabalha na área de desenvolvimento e criação, justamente por dar a liberdade de inovar para encontrar uma solução única e diferente, é que nos deparamos com um cenário extremamente desafiador! Muitas vezes as limitações técnicas causadas por falta de flexibilidade nas alterações em maquinário ou desenvolvimento de novas tecnologias acabam trazendo barreiras a esse processo. Às vezes, podemos desenvolver uma embalagem com um design absolutamente inovador e disruptivo. Porém, pode ser que na gráfica essa embalagem não possa ser colada em máquina. E o processo se reinicia, e novamente, e mais uma vez, até encontrarmos a melhor solução. Vale ressaltar que, mesmo frente a essas questões, o papelcartão ainda é uma matéria-prima que possibilita uma grande variedade de formatos e design diferentes!

Para quem já experimentou essa sensação de desenvolver algo inovador e acompanhar o sucesso nas gôndolas de todo o país, sabe da sensação de prazer de ver essa pequena grande embalagem nos pontos de venda. Sabe que todo o esforço valeu muito a pena. E, na verdade, não vê a hora de encontrar o seu próximo desafio!

Autor
Colunista João Ferraresso

Gestor Técnico e de Qualidade da Área Gráfica.