Participei do 3º Fórum de Economia Circular realizado na cidade de Joinville nos dias 14 e 15 de agosto de 2024, organizado pela Revista Plastisul, Sindiplas/RS, Rede pela Circularidade do Plástico e Conceitual Brasil – Jornalismo Total. Excelentes apresentações e discussões foram a tônica dos dois dias focados no tema.
O ponto a destacar, objeto deste texto, é o livro “O Paradoxo dos Plásticos”, versão impressa distribuída aos participantes, e versão digital disponível em https://encr.pw/OXbyz
Escrito por Chris DeArmitt, especialista em plásticos e presidente da norte americana Phantom Plastics, e traduzido por Sibele Piedade Cestari, o livro é um convite à reflexão porque contribui para explicar a importância doa plásticos na vida humana. Ao final de cada capítulo, em tom provocador (no bom sentido) apresenta o que chama de mentira e a verdade correspondente.
O parágrafo a seguir, transcrito do Prefácio explica o título do livro:
Dizem que os plásticos são nossos heróis e nosso vilões. Esse é o “Paradoxo dos Plásticos”. Como pode eles serem nosso amigo e inimigo ao mesmo tempo? Como saber se devemos estimular ou combater seu uso? Para descobrir a resposta, precisamos mostrar as evidências a você, ao júri, ao público em geral. Somente então poderemos tomar uma decisão baseada em informação.
O autor apresenta o significado de sustentável e alicerça todas as afirmativas em estudos de ACV (Avaliação do Ciclo de Vida) realizados em diversos países e disponíveis na literatura técnica. Apresenta excelentes comparações entre sacolas reutilizáveis e descartáveis fabricadas a partir de resinas plásticas e com outros materiais. Na página 50 da edição impressa (46 da eletrônica), uma frase salta aos olhos:
“…embalagens plásticas levam a enormes reduções de emissões de CO2 porque ajudam os alimentos a permanecerem mais frescos por mais tempo.”
O Lixo é o tema que se segue, com a abordagem do perfil da composição nos Estados Unidos, destacando o primeiro lugar ocupado pelos celulósicos. No Brasil, dada a existência de catadores ávidos por esses materiais, essa classificação é diferente. Além disso, o País carece de campanhas semelhantes à da “Tampinha Legal” para valorizar outros RSU. O autor recomenda o Design para a Reciclagem, que se baseia em projetar produtos mais duráveis que serão fabricados com plásticos também mais duráveis e traz a figura do item “uso zero” que, adaptada às condições brasileiras, notadamente São Paulo, faz lembrar os folhetos com propaganda entregues em semáforos e descartados quase que imediatamente.
Poluição – Fontes e Soluções é o título do Capítulo 3, que reforça a responsabilidade dos seres humanos e sugere seguir exemplos de países europeus que cobram pequenas taxas que são restituídas no momento da devolução das embalagens. Analisa criticamente as “ilhas de plásticos” nos oceanos e traz uma afirmativa que tenho repetido ao longo dos últimos anos: “o lixo não está magicamente indo para as praias e sim jogado propositalmente nos oceanos pelos “humanos”. O autor cita a abordagem multifacetada para mitigar o problema1, composta de quatro ações: prevenção da geração; mitigação, incluindo o Design para a Reciclagem; educação; e efetivas ações governamentais.
Cita a análise realizada por BOUCHER, J. e FRIOT D. (2017)2 sobre a origem dos microplásticos e destaca como principal fonte (35%), a lavagem de tecidos sintéticos e os grânulos plásticos com uma porcentagem mínima.
Ao visitar a degradação de plásticos, faz uma excelente e didática revisão do tema, exemplifica a ação de estabilizantes e traz informações sobre a não deterioração em aterros sanitários porque não existe oxigênio suficiente para alimentar as principais reações.
Faz uma provocadora abordagem sobre corrupção, distração e ganância no Capítulo 6 antes de apresentar suas Conclusões, Perspectivas e o Caminho a Seguir.
Concorde-se ou não com os fatos nele expostos, não se pode deixar de compreender que são citações de publicações validadas em avaliação por pares. Uma frase (pág. 176 da edição impressa e pág. 172 na edição eletrônica, soa como música aos meus ouvidos, porque acredito ser desperdício de energia simplesmente dispor esses materiais num aterro sanitário:
Se você usa, por exemplo PE e PP, você pode reciclá-los e reutilizá-los muitas vezes e quando finalmente tiver que queimá-los você recuperará toda a energia contida neles.
Sugiro a leitura crítica e discussões entre profissionais de embalagem. É a maneira ideal de todos reforçarem (ou não) seus conceitos sobre tema tão intrigante e controverso.
Saiba mais:
- WILLIAMS, A.T., e RANGEL-BUITRAGO, NELSON. Journal of Coastal Research, 35(3) : 648-663 – (2019)
- BOUCHER, J. e FRIOT D. (2017). Primary Microplastics in the Oceans: A Global Evaluation of Sources. Gland, Switzerland: IUCN. 43pp.


Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia (CEU/IMT).