No último dia 3 de Outubro de 2024, o Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia, realizou um workshop com a presença de professores e de profissionais ligados a indústrias fabricantes e usuárias de embalagem e a associações de classe. O objetivo foi entender o momento atual das organizações onde se nota falta de profissionais para ocupar cargos técnicos e gerenciais relevantes.
Diversos documentos serviram como alicerce para preparar e conduzir o evento. Dentre eles podem ser citados: The Global Talent Crunch1; World Inequality Report 20222; 2023 in Nine Charts: A Growing Inequality3; Nova Indústria Brasil4; Mauá sob a Ótica do Nexialismo5; PISA 2022: Creative Minds, Creative Schools – Volume III6. Essas leituras ressaltaram: a falta de talentos identificada pelas organizações; as desigualdades sociais e educacionais da população brasileira; um consistente plano brasileiro para a geração de valor pela indústria; e o esforço da Mauá para a formação/aperfeiçoamento de profissionais com a mentalidade nexialista.
Durante o evento, os depoimentos de cada um dos 35 participantes foram anotados com a maior riqueza de detalhes possível. Em seguida, foram cuidadosamente analisados sob a perspectiva da pós-graduação e agrupados de acordo com as competências e as habilidades a desenvolver. O relatório deverá ser divulgado no início de 2025 e será objeto de posterior publicação na EMBANEWS.
Na atividade final do workshop, os participantes formaram 5 grupos e receberam a missão de redigir, cada um, uma frase (só uma) que começasse com um verbo de ação7 e sintetizasse sua recomendação para formar ou aperfeiçoar profissionais para atender suas demandas. Eis as frases:
- Promover o intercâmbio entre instituições de ensino e as organizações para que os acadêmicos possam conhecer os aspectos técnicos e de negócio;
- Desenvolver a visão sistêmica para formar profissionais transformadores e contribuir para ressignificar o papel da engenharia no mundo;
- Criar conteúdo mínimo de horas para residência ou estágio para ganhar experiência na indústria, em paralelo à graduação e pós-graduação, desde o início dos cursos, priorizando a visão sistêmica analítica, com foco em solução de problemas para geração de valor;
- Formar profissionais com conhecimento tecnológico e visão sistêmica, focados em inovação e no desenvolvimento de habilidades emocionais e de gestão;
- Conectar casos de sucesso e de insucesso com ferramentas digitais emergentes utilizando os exemplos práticos para que exista uma comparação entre a resolução virtual e a real.
- O tema visão sistêmica está presente em 3 das 5 recomendações. A esse respeito, a edição 409 da EMBANEWS8, publicada em abril de 2024, mostra como desenvolvê-la a partir dos conceitos publicados por Peter Senge9 em seu livro “A Quinta Disciplina”. Em resumo, cada indivíduo precisa ter domínio pessoal (leia-se ter e executar um claro projeto de vida) e ajustar, permanentemente, seus modelos mentais (quebrar paradigmas) às situações do cotidiano. Por sua vez, os times empresariais devem ter objetivos comuns e ininterruptamente aprender em conjunto. Assim procedendo, a empresa terá visão sistêmica, porque entenderá o próprio papel e o dos demais agentes da cadeia produtiva em que atuam e, consequentemente, as relações entre eles. É como ensinar a olhar ao mesmo tempo a floresta e as árvores. É o que o autor chama de “organizações que aprendem10” e formam talentos.
Trata-se de missão árdua porque, atualmente, as redes sociais (Facebook, LinkedIn, X) e as plataformas de compartilhamento de imagens e vídeos (YouTube, Instagram, TikTok, Pinterest) são sedutoras pelas possibilidades de ganho financeiro com aparente facilidade.
O necessário intercâmbio empresa/universidade para fortalecer o pragmatismo dos profissionais, especialmente na graduação também foi muito debatido. Sobre esse assunto, muito se falou da concorrência das organizações financeiras, que oferecem melhores condições salariais (e benefícios) do que as indústrias, fato que “seduz” o futuro engenheiro e o distancia das atividades fabris. Tanto empresas como escolas precisam se abrir mais para que as atividades extracurriculares possam de fato desenvolver competências, habilidades e atitudes nos alunos. Por exemplo, as empresas poderiam permitir a participação de alunos em projetos específicos ou estágios de férias que, em última análise, permitem identificar os tão procurados talentos. Poderiam também ministrar palestras sobre temas do cotidiano industrial, relatando casos de sucesso e de insucesso. Por outro lado, as escolas convidariam empresas para participar com considerável frequência de aulas, seminários, congressos e encontros culturais ou para patrocinar projetos de iniciação tecnológica, orientados por professores especialistas, e que versem sobre temas de seu interesse.
O perfil crítico foi tema recorrente nas discussões, embora tenha sido citado apenas uma vez nas recomendações. Trata-se da capacidade de questionar e analisar de forma racional os fatos do dia a dia por meio de pensamento reflexivo para chegar o mais próximo possível da verdade. A esse respeito, Descartes11 deixa claro que o espírito crítico é caracterizado pelo permanente questionamento e análise racional, e pela busca de evidências para embasar conclusões.
Em síntese, muito foi aprendido pela escola e esse aprendizado será incorporado aos próximos módulos do curso de Pós-graduação em Engenharia de Embalagem.
Aos participantes do workshop fica explicitado o profundo sentimento de gratidão.
Feliz 2025 a todos!
- Disponível em https://encr.pw/O5HNn, último acesso em 23 de dezembro de 2024;
- Disponível em https://wir2022.wid.world/, último acesso em 23 de dezembro de 32024;
- Disponível em https://encr.pw/w4fry, último acesso e 23 de dezembro de 2024;
- Disponível em https://acesse.one/Y8OWh, último acesso em 23 de dezembro de 2024;
- Disponível em https://encr.pw/ZpYvi, último acesso em 23 de dezembro de 2024;
- Disponível em https://l1nq.com/Tv8MP, último acesso em 23 de dezembro de 2024;
- Verbos de ação expressam o que alguém ou algo está fazendo (por exemplo, transportar, desenvolver, criar). Não utilizar verbos que exprimam “estado” (ser, estar, ficar, permanecer).
- Disponível em https://l1nq.com/aJr73, último acesso em 23 de dezembro de 2024.
- SENGE, P. M. quinta disciplina. 14ª.ed. tradução de Regina Amarante. São Paulo: Best Seller, 1990.
- SENGE, P.M. A dança das mudanças. 1ª ed. tradução de Bazán Tecnologia e Linguística. – Rio de Janeiro : Campus, 1999.
- DESCARTES, R. Discurso do Método ; [tradução Lourdes Nascimento Franco]. – São Paulo ; Ícone, 2006.
Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia (CEU/IMT).