A partir da análise cuidadosa de sugestões, críticas, comentários e depoimentos de cada um dos profissionais ligados a indústrias fabricantes e usuárias de embalagem e a associações de classe, participantes de workshop realizado no Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia em 3 de outubro de 2024, foram implementadas alterações no Curso de Pós- -graduação em Engenharia de Embalagem (https://maua.br/pos-graduacao/especializacao- 360h/engenharia-de-embalagem). O evento buscou entender o momento atual das organizações onde se nota falta de profissionais para ocupar cargos técnicos e gerenciais relevantes.
Uma das importantes alterações realizadas foi o redesenho do Módulo Gestão Sistêmica de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação de Produto e de Embalagem (https://maua.br/pos-graduacao/atualizacao- 120h/gestao-sistemica-de-pesquisa-desenvolvimento- e-inovacao-de-produto-e- -de-embalagem), com início em março de 2025, que compartilho com o leitor.
Os três pontos chave (ou “mantras” como costumo dizer) do módulo são: a) ter visão sistêmica é essencial para inovar; b) inovar é fazer acontecer; e c) informação gera conhecimento que, por sua vez forma a competência que é essencial para inovar e desenvolver a vantagem competitiva, como pode ser observado na Figura 1. Nela, além da representação gráfica dessa sequência, pode-se observar um pequeno retângulo em amarelo que é um Ambiente BA no qual existem células de geração do conhecimento. Esse conceito foi criado por Takeuchi e Nonaka1 para descrever um lugar “em movimento, no qual o conhecimento é partilhado, criado e utilizado” e se transforma em competência, que é um bem intangível da organização. Cada aula deve ser um Ambiente BA!
A sequência das disciplinas ao longo do semestre é a seguinte:
- Visão Sistêmica da Inovação: apresenta o conceito de sistemas, aplicado às cadeias produtivas e à embalagem e deixa claro que as inovações precisam ter seus benefícios tangíveis e intangíveis expostos de forma clara;
- Conhecimento e Inovação: explora os mecanismos de criação e gestão do conhecimento num sistema produtivo que precisa inovar continuamente e analisa criticamente a “falta de talentos” alardeada mundialmente por empresas e consultorias;
- Inteligência do Produto e da Embalagem, focada em explicitar a importância de compreender e aplicar cotidianamente conceito de inteligência da embalagem e do produto na gestão de sistemas produtivos;
- Design e Inovações Sustentáveis em Produto e em Embalagem, em que os alunos desenvolvem projeto de inovação sustentável de produto e/ou embalagem;
- Design Thinking para Inovação de Produto e de Embalagem; apresenta a ferramenta que pode ser usada em todas as situações da vida profissional e pessoal e explora possibilidades para explorar um projeto inovador que tenha um objetivo bem definido;
- Gestão das Atividades de P&D: Identificação de Oportunidades de Inovação e de Uso da Lei-do-bem: identifica, na atual situação brasileira, um mar de oportunidades para inovar mesmo com as conhecidas dificuldades para formar talentos. Além disso, analisa o perfil de projetos e questiona: são mesmo inovadores?
- Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) na Prática – Transferência de Conhecimento e de Escala: apresenta os conceitos TRL2 e RRI3 na seleção e gestão de projetos de inovação e analisa criticamente a responsabilidade dos pesquisadores lotados em indústrias e em Instituições de Ciência e Tecnologia (ICT’s);
- Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) – Conceito de Planejamento de Experimentos: explicita a importância de redigir corretamente o objetivo da pesquisa, numa só frase, para planejar cada experimento com o mínimo possível de variáveis e cenários. Alerta para erros comuns em desenvolvimentos realizados nos ambientes empresariais quando essas recomendações não são seguidas e nenhum resultado confiável é obtido;
- Priorização de Projetos Inovadores: Indicadores e Resultados: é disciplina com aplicação imediata na vida profissional e pessoal e que também requer conhecimento das variáveis e dos cenários onde os projetos serão desenvolvidos;
- Negociação Colaborativa para Inovação Sistêmica Sustentável: explora as habilidades, competências, atitudes e a ética de um bom negociador de projetos;
- Patente como Ferramenta Estratégica na Pesquisa e Desenvolvimento de Projetos: enfatiza a importância das patentes e os reflexos da situação atual brasileira que requer ações focadas na adição de valor aos produtos aqui produzidos. Também explora ideias dos alunos que poderiam ser patenteadas;
- Oportunidades da Inovação Aberta – Startups, Hubs de Inovação e Consultorias: traz à tona as oportunidades disponíveis no Brasil para suporte a investimentos em inovação e enfatizar a importância de estar aberto para inovações de modo a buscar contatos nacionais e internacionais para troca de informações e de ideias.
Todos os professores são orientados a explorar casos de sucesso e, especialmente, de insucesso, para auxiliar na formação do espírito crítico dos alunos e fortalecer sua capacidade de enfrentar os desafios profissionais que 2025 inevitavelmente apresentará. Afinal, ser capaz de inovar também significa estar bem preparado para enfrentar reveses.”
- Takeuchi, T. e Nonaka, I. Gestão do Conhecimento. Tradução Ana Thorel. Porto Alegre : Bookman, 2008.
- A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) adotou a norma NBR ISO 16290:2015 Technology Readiness Level (Nível de Maturidade Tecnológica) – Uma escala usada para medir o nível de desenvolvimento de uma tecnologia, variando de TRL 1 (pesquisa básica) até TRL 9 (tecnologia totalmente operacional).
- Responsible Research and Innovation (Pesquisa e Inovação Responsáveis) – Um conceito que visa garantir que a inovação científica e tecnológica esteja alinhada com valores sociais, éticos e sustentáveis.

Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia (CEU/IMT).