MARCAS ESTÃO REVOLUCIONANDO SEUS SISTEMAS DE EMBALAGENS EM BUSCA DE SUSTENTABILIDADE, EXPLORANDO MODELOS REUTILIZÁVEIS E TECNOLOGIAS DIGITAIS

A busca por embalagens mais sustentáveis é uma das forças motrizes do setor, a ponto de marcas mudarem drasticamente sistemas consolidados há anos. Modelos de negócio de embalagens reutilizáveis são potencialmente disruptivos ao agregarem tecnologias digitais que os viabilizem no contexto atual de cadeias de distribuição complexas e legislações mais restritivas.

Assim, no último ano, foram discutidos aspectos ambientais, técnicos e econômicos para a viabilidade de sistemas de reuso de embalagem a partir da revisão de literatura de 107 artigos acadêmicos1, sendo identificados três principais sistemas: embalagem primária refilável, embalagem primária retornável e embalagens secundária e/ou terciária retornáveis.

Do ponto de vista ambiental, a escolha do material deve considerar aspectos da produção, tempo de prateleira e logística – materiais com baixa densidade mássica podem contribuir com menores emissões de gases de efeito estufa durante o transporte. A incorporação de conteúdo reciclado permite o uso de menores quantidades de materiais virgens. Também deve haver atenção à redução de perdas associadas a uso, manuseio e transporte inadequados, e à economia de água e energia na etapa de higienização das embalagens2.

Quanto a aspectos técnicos, a logística de retorno (coleta ou entrega dos contêineres vazios e abastecimento dos mesmos sem comprometer a disponibilidade da mercadoria) exige atuação conjunta entre fabricante, varejo e, se for o caso, distribuidora3. Outro desafio da transição do sistema one way para o reutilizável está na infraestrutura para armazenamento, inspeção e reparo de embalagens danificadas4. Para automatização, controle e otimização de processos, entramtecnologias de rastreamento, cujos custos podem ser amortizados pelos ganhos de produtividade5.

Se despesas com o retorno das embalagens chegam a 17% do total e 20% de toda a logística6, alguns atenuantes são a otimização da carga no transporte e o embarque dos contêineres vazios já quando os veículos regressam ao fabricante ou ao parceiro envolvido7. Políticas públicas de incentivo, como isenções fiscais, podem ser um alívio nos custos mais elevados.

O artigo completo pode ser conferido na próxima edição do Informativo Cetea, que será disponibilizada na página https://ital.agricultura.sp.gov.br/cetea/publicacoes.

Saiba mais:

  1. Bradley, C. G., & Corsini, L. (2023). A literature review and analytical framework of the sustainability of reusable packaging. Sustainable Production and Consumption, 37, 126–141. https://doi.org/10.1016/j.spc.2023.02.009
  2. Camps-Posino, L., Batlle-Bayer, L., Bala, A., Song, G., Qian, H., Aldaco, R., Xifré, R., & Fullana-i-Palmer, P. (2021). Potential climate benefits of reusable packaging in food delivery services. A Chinese case study. Science of The Total Environment, 794, 148570. https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2021.148570
  3. Greenwood, S. C., Walker, S., Baird, H. M., Parsons, R., Mehl, S., Webb, T. L., Slark, A. T., Ryan, A. J.,& Rothman, R. H. (2021). Many Happy Returns: Combining insights from the environmental and behavioural sciences to understand what is required to make reusable packaging mainstream. Sustainable Production and Consumption, 27, 1688–1702. https://doi.org/10.1016/j.spc.2021.03.022
  4. Kunamaneni, S., Jassi, S., & Hoang, D. (2019). Promoting reuse behaviour: Challenges and strategies for repeat purchase, low-involvement products. Sustainable Production and Consumption, 20, 253–272. https://doi.org/10.1016/j.spc.2019.07.001
  5. Kim, T., & Glock, C. H. (2014). On the use of RFID in the management of reusable containers in closed-loop supply chains under stochastic container return quantities. Transportation Research Part E: Logistics and Transportation Review, 64, 12–27. https://doi.org/10.1016/j.tre.2014.01.011
  6. Menesatti, P., Canali, E., Sperandio, G., Burchi, G., Devlin, G., & Costa, C. (2012). Cost and Waste Comparison of Reusable and Disposable Shipping Containers for Cut Flowers. Packaging Technology and Science, 25(4), 203–215. https://doi.org/10.1002/pts.974
  7. Mensendiek, A. (2015). Scheduling with returnable containers. Journal of Scheduling, 18(6), 593–605. https://doi.org/10.1007/s10951-015-0426-0

Autor
Colunista Gustavo Henrique Moraes

Pesquisador do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) do Ital.