O exacerbado impacto que tem sido causado ao meio ambiente nos últimos tempos é um fato que preocupa boa parte da população. Os seres humanos percebem alterações climáticas que se materializam, por exemplo, em degelo na Antártica e consequente aumento da vegetação em áreas que eram inóspitas. Em notícia publicada na edição de 4 de outubro de 2024 no portal O Globo pode-se ler: “Área coberta por vegetação no continente gelado passou de menos de um quilômetro quadrado em 1986 para quase 12 quilômetros quadrados em 2021. Região, como outras áreas polares, está aquecendo mais rapidamente que a média global1”.

Alerta mais enfático foi dado pelo Climatologista Carlos Nobre em entrevista publicada no Estadão em 11 de setembro de 20242: “Estou apavorado. Ninguém previa isso; é muito rápido”. Ao se referir às altas temperaturas, o cientista afirma que “Esse é o máximo que já experimentamos. A crise explodiu. Temos a maior temperatura que o planeta experimentou em 100 mil anos”. Ele também afirma, em outra entrevista3: “Pantanal acabará e meia Amazônia será devastada até 2070 nesse ritmo de desmate”.

O leitor pode pensar que 2070 (daqui a 46 anos) está muito longe e há que se tomar medidas no médio/longo prazo. Cabe, neste ponto, uma reflexão. Desde os anos no pós-guerra iniciamos um “fantástico” programa de incentivo ao consumo como se os recursos fossem infinitos. Foram quase 80 anos destruindo. O filme The Rise of Lowsumerism4, legendado, que não canso de recomendar, ilustra como que os seres humanos (e aqueles que parecem pouco humanos) começaram a consumir ininterruptamente “recursos terráqueos” após a 2ª guerra e não pararam mais. Ora, numa matemática simples, ao se tomar como verdadeira a frase de Winston Churchill5 – “Construir pode ser a tarefa lenta e difícil de anos. Destruir pode ser o ato impulsivo de um único dia” – e se for considerado o prazo limite de 2070 citado acima, tem-se que dificilmente os seres humanos reconstruirão em 46 anos o que foi destruído em quase 80. Recorro pela última vez a uma fala de Carlos Nobre, para ilustrar essa preocupação: “A doença da Terra é a humanidade6”.

ilustração com proposta de uso estratégico de ferramentas para redução de impactos ambientais

Esse cenário não pode, de forma alguma, desincentivar ninguém. Ao contrário, é um oceano de oportunidades que deve ser explorado rapidamente. Por exemplo, em 2013, a dissertação de mestrado de Vivan Borges, propôs uma estratégia industrial para o desenvolvimento sustentável esquematizada na Figura 1. É essencial observar que tudo deve começar com a Educação Ambiental – fundamental. Em seguida, adotam-se as Boas Práticas de Fabricação e Controle (leia-se também redução de perdas/desperdícios) para depois utilizar ferramentas mais complexas.

Por falar em educação ambiental, nesse momento crítico em que novos hábitos precisam ser desenvolvidos, algumas empresas se destacam por suas iniciativas focadas no desenvolvimento desse “saber” do Capital Humano, sem deixar de lado os tradicionais projetos de inovação, como aumento do uso de PCR e de PIR, o incentivo ao uso de embalagens retornáveis e recicladas, entre numerosos outros.

Destaque-se nesse sentido aquele intitulado Projeto Sustentabilidade criado e em desenvolvimento pela empresa Rhotoplás8. A convite do CEO (Sr. Carlos Eduardo de Oliveira Motta) e da gestora do projeto (Engª. Alexandra Schramm) tive a oportunidade de acompanhar as etapas de geração de ideias, os cuidados para identificar aquelas que deveriam priorizadas utilizando matriz de decisão adequada e a opção sensata e estratégica de iniciar um processo de educação ambiental.

É importante ressaltar como esse cuidado em desenvolver a responsabilidade ambiental nos funcionários deixa claras, para todos eles, as oportunidades de colaborar, ainda que possa parecer muito pouco, na recuperação do ambiente em que vivem e em que trabalham, numa espécie de corrente do bem9.

Referências:

  1. https://l1nk.dev/LxhTI, acesso em 07 de outubro de 2024.
  2. https://encr.pw/j4zCs, acesso em 07 de outubro de 2024.
  3. https://encr.pw/YKHYy, acesso em 07 de outubro de 2024.
  4. https://www.youtube.com/watch?v=jk5gLBIhJtA, acesso em 07 de outubro de 2024.
  5. https://www.pensador.com/frase/OTU4MTI4, acesso em 07 de outubro de 2024.
  6. https://encr.pw/RypoZ, acesso em 07 de outubro de 2024.
  7. BORGES, V. Estratégia de implantação da produção mais limpa em indústria cosmética terceirista de pequeno porte. Dissertação e Mestrado. Orientador: A. Cabral. Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia. São Caetano do Sul. 2013.
  8. https://rhotoplas.com.br
  9. https://www.google.com/search?q=corrente+do+bem
anúncio do evento MDI 2024, fórum de mulheres de impressão
anúncio da globoplast, bisnagas plásticas.
Autor
Colunista Antonio Cabral

Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia (CEU/IMT).