O ano de 2023 trouxe desafios significativos para a indústria de reciclagem de plásticos no Brasil. Essa percepção do mercado foi comprovada pelo estudo anual sobre a reciclagem mecânica do material, encomendado pelo Movimento Plástico Transforma, iniciativa do PICPlast, uma parceria entre a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), representante do setor de transformados plásticos e reciclagem, e a Braskem, maior petroquímica das Américas.
O estudo é realizado anualmente, desde 2018, pela MaxiQuim, empresa de avaliação de negócios na indústria química com foco em análise de mercados e competitividade, e tem como objetivo mensurar o tamanho da indústria de reciclagem de plásticos no Brasil, acompanhando a evolução anual e os desafios do setor.
“Em 2023, a indústria de reciclagem enfrentou um momento desafiador, com variações na contramão da tendência de crescimento apresentada nos últimos anos. Esse cenário pode ser explicado em razão da queda nos preços das commodities petroquímicas, o que tornou as resinas de primeiro uso mais atraentes frente à matéria-prima reciclada para os transformadores de plásticos, tanto no mercado nacional quanto internacional”, explica Maurício Jaroski, diretor de química sustentável e reciclagem da MaxiQuim.
VOLUMES DE RESÍDUOS PLÁSTICOS CONSUMIDOS NO BRASIL

Em 2023, foram consumidas 1,4 milhão de toneladas de resíduos plásticos na reciclagem, sendo que 984 mil toneladas são oriundas de embalagens. As outras 467 mil toneladas de plástico originam-se de resíduo pós-industrial (335 toneladas), como sobras dos processos das indústrias petroquímica e de transformação de plásticos, bem como outros tipos de resíduos pós-consumo, como peças plásticas de bens de consumo duráveis (87 toneladas) e descartáveis (43 toneladas).
Do total de resíduos consumidos referente às embalagens (68%), 47% dizem respeito às embalagens rígidas e 21% em relação às flexíveis, conforme gráfico acima.
ORIGEM DOS RESÍDUOS

A distribuição entre as fontes de resíduos para os recicladores não sofreu grandes variações em 2023, com exceção das cooperativas que perderam força de trabalho, em função da desvalorização dos resíduos e consequente baixa remuneração dos seus cooperados, apresentando queda no volume de venda aos recicladores. Das 1,4 milhão de toneladas de resíduos plásticos consumidas destacam-se as 30% que chegam às recicladoras por meio dos sucateiros, 19% pelos beneficiadores, 13% por empresas de gestão de resíduos e 11% pelas cooperativas.
PRODUÇÃO DE RESINA RECICLADA

Desde o início da mensuração do índice de reciclagem mecânica dos plásticos (2018), houve um aumento significativo de 23,9% na produção de resina pós-consumo. Nas mais de 939 mil de toneladas de resinas recicladas pós-consumo produzidas no ano passado, 41% foram de PET, seguidas por PEAD (21%), PP (17%) e PEBD/PELBD (14%).
Essas resinas recicladas se transformaram em produtos destinados às indústrias de alimentos e bebidas (16%); construção civil e infraestrutura (13%); higiene pessoal, cosméticos e limpeza doméstica (12%); utilidades domésticas (8%); automotivo (7%), entre outros.
“Devido a um ano de desafiadora valorização da resina reciclada, os segmentos de construção civil e infraestrutura, que tradicionalmente são segmentos de menor valor agregado, aumentaram seus volumes demandados de plástico PCR”, complementa Maurício.
ÍNDICE DE RECICLAGEM MECÂNICA
O índice de reciclagem mecânica dos plásticos pós-consumo ficou em 20,6% no Brasil em 2023. Esse índice é calculado dividindo a quantidade de plástico pós-consumo reciclado pelo volume de plástico pós-consumo gerado. Já o índice de recuperação, que considera toda a quantidade de resíduo consumido sem excluir as perdas no processo, uma vez que para essas perdas é dada a disposição final ambientalmente adequada pela indústria da reciclagem, foi de 24,5% em 2023.
Outros dois índices importantes de serem destacados e que são muito relevantes para a indústria dizem respeito às embalagens: o índice de reciclagem mecânica das embalagens ficou em 24,3%, enquanto o de recuperação de embalagens ficou em 28,6%.

Diretor e Editor Chefe da publicação EMBANEWS.