10 de abril de 2026

A bola da vez é ser sustentável. Nesse caso é necessário entender a intenção das empresas e das pessoas em suas ações relacionadas ao tema. Ter uma composteira em casa pode ser um primeiro passo para reaproveitar resíduos orgânicos ou uma fonte de conteúdo para as redes sociais.

A Organização das Nações Unidas, a ONU, publicou em suas redes sociais uma frase que me chamou atenção “não usa mais copo plástico e acha que resolveu a crise climática”. É uma síntese sobre as atitudes da humanidade em relação a redução de impacto ambiental. Excluindo os negacionistas, percebe-se uma distorção sobre como agir em meio a este problema mundial. Uma grande parte não sabe como agir, pois, tudo é complexo e relativamente novo, o modelo capitalista e linear já está instaurado a mais de um século, as mudanças de comportamento não ocorrerão de uma hora para outra.

O efeito manada continua presente na sociedade que não reflete nem mesmo sobre o seu propósito nesse tempo de vida, curto e imprevisível. Materiais são condenados, embalagens viraram sinônimos de poluição ambiental e passar o problema para o próximo da fila virou uma rotina. O dono da marca é responsável pela destinação correta dos resíduos, que por sua vez, atribui ao consumidor tal responsabilidade. O consumidor, pagador de impostos, atribui a responsabilidade para as prefeituras e assim por diante. Reciclagem virou um filho feio que ainda não encontrou a sua paternidade.

O que esperar de uma população que ainda não aprendeu a separar o lixo seco do orgânico e uma empresa que continua oferecendo embalagens presenteáveis com pouco produto e muito desperdício.

Acompanhar as empresas se manifestando em relação as suas ações de redução de impacto ambiental virou uma piada pronta. Os relatórios apresentados e manifestações públicas apresentam absurdos como um atributo positivo social oferecer alimentação aos seus funcionários; Como vantagem competitiva entregar seus produtos no prazo de entrega, e utilizar personagens de desenho como símbolo da empresa como amiga da natureza são exemplos reais. Obviamente as marcas serão preservadas, mas sim, divulgaram isso para o mercado!

Outro fator recorrente são os investimentos em marketing para explicitar seus percentuais de materiais reutilizados em suas cadeias. Em alguns casos, uma obrigação legal virou pauta para vender mais. Na área agrícola, por exemplo, as empresas fabricantes de adubos e fertilizantes, são obrigadas por lei a recolher 100% das embalagens colocadas no mercado. Estes itens, devido ao alto índice de contaminação e risco para a saúde humana, não podem estar circulando nas áreas rurais. Algumas marcas utilizam este esforço para se promover e atrair novos clientes.

Nem tudo é economia circular. Apesar de ser um modelo factível para resolver o problema do planeta, a mudança de comportamento da humanidade não acompanhará a velocidade do seu protagonismo. É preciso em paralelo, evitar desperdícios, ter uma vida mais simples. O primeiro reflexo de uma classe média em ascensão é atender uma demanda de consumo reprimida. Inicie por aquilo que estiver mais acessível, não se preocupe em salvar o planeta sozinho, faça sua parte primeiro.

Créditos e siglas não auxiliarão na redução de impacto ambiental, é preciso ter uma mudança radical de atitude em relação as ações efetivas para redução de impacto ambiental. Na era do aparecer, é preciso antes de tudo assumir o ser como agente integrante da natureza, suas atitudes influenciarão diretamente nas condições que o planeta será entregue aos seus sucessores.

Autor
Colunista Ricardo Sastre

Publicitário, Mestre em Design, Doutor em Engenharia de Produção e Pós-Doutor em Design Sustentável, Pesquisador, Consultor e Professor. Presidente da AP Design e Diretor da Mudrá Design.