10 de abril de 2026

Depois de mais de 25 anos atuando no desenvolvimento de embalagens, perfumaria, cosméticos e bens de consumo, aprendi que existe uma armadilha muito comum no mercado: acreditar que tudo o que vem de fora é automaticamente melhor.

E não é.

Os produtos importados têm, sim, muitas qualidades. Muitas vezes trazem embalagens sofisticadas, materiais diferenciados, tecnologias interessantes e soluções bastante inspiradoras.

Mas é importante lembrar que, na maioria das vezes, eles foram desenvolvidos para atender às necessidades dos seus próprios mercados internos.

Isso vale para a formulação, para a embalagem, para a logística, para a reciclagem e até para a forma como o consumidor utiliza aquele produto.

Por isso, em alguns casos, temos a sensação de que um produto importado “performa melhor” ou parece mais sofisticado. Muitas vezes ele foi pensado para uma realidade diferente da nossa e, por alguma particularidade, acaba trazendo uma percepção positiva em outro contexto.

Mas isso não significa que ele seja melhor para nós.

O Brasil também entrega sofisticação, inovação, tecnologia, beleza e experiência.

Nossas embalagens, nossos materiais, nossos acabamentos, nossos frascos, tampas, válvulas e cartuchos muitas vezes não ficam atrás de ninguém. Em diversos casos, inclusive, conseguimos desenvolver soluções ainda mais inteligentes, sustentáveis e alinhadas à nossa realidade.

Os produtos nacionais são desenvolvidos considerando o nosso clima, a nossa temperatura, a nossa umidade, os nossos hábitos de consumo e a nossa infraestrutura.

No caso das embalagens, isso fica ainda mais evidente.

As empresas brasileiras vêm desenvolvendo soluções cada vez mais sofisticadas, bonitas, funcionais e sustentáveis, pensadas para a nossa realidade de transporte, armazenagem, desmontagem, reciclagem e reaproveitamento.

Valorizar o produto nacional não significa desmerecer o que vem de fora.

Significa reconhecer que aquilo que é desenvolvido aqui foi pensado para nós.

E talvez, para alcançarmos um patamar ainda maior de relevância, inovação e competitividade, primeiro precisemos aprender a valorizar mais aquilo que já fazemos tão bem dentro de casa.

E olha que nem entramos aqui no aspecto cultural, nos hábitos de consumo de cada país e nem nas questões trabalhistas envolvidas em muitos mercados internacionais… porque aí, definitivamente, seria uma outra conversa.

Autor
Colunista Leandro Lima Andrade

Graduado em Química com especialização em Engenharia de Embalagens, possuindo 20 anos de experiência profissional na área de embalagens nos segmentos Cosmético, Alimentício e Limpeza.