20 de fevereiro de 2026

DESAFIOS NA ECONOMIA CIRCULAR DE PLÁSTICOS: O PAPEL DA RECICLAGEM MOLECULAR

A transição para uma economia circular no setor de plásticos enfrenta desafios significativos, especialmente relacionados às limitações da reciclagem mecânica. Embora seja a forma predominante de reciclagem, a reciclagem mecânica apresenta restrições que impedem a plena circularidade dos materiais plásticos. No Brasil, apesar dos avanços na reciclagem mecânica, há muitas dificuldades estruturais, como a baixa taxa de coleta seletiva, a contaminação dos resíduos e a falta de incentivos econômicos para o uso de materiais reciclados.

A reciclagem mecânica, embora amplamente utilizada, possui várias limitações. Ela é mais eficaz com materiais plásticos homogêneos e limpos, o que nem sempre é o caso dos resíduos pós-consumo. Contaminações, mistura de diferentes tipos de plásticos e degradação das propriedades físicas ao longo dos ciclos de reciclagem reduzem a qualidade dos materiais reciclados.

Aplicações como certas embalagens cosméticas, como compactos e batons, frascos coloridos, filmes multicamadas e materiais contaminados com tintas ou adesivos, por exemplo, não podem ser reciclados pelo processo mecânico de forma eficiente. Assim, muitas embalagens plásticas ainda acabam em aterros ou incineradores porque não podem ser recicladas eficientemente pelos métodos tradicionais.

De acordo com dados da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria de Plástico), a reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo atingiu 20,6% em 2023, sendo 24,3% a taxa de reciclagem mecânica de embalagens. Esses dados reforçam que uma parcela significativa dos resíduos plásticos ainda não é reciclada, evidenciando as limitações do processo mecânico.

Nesse contexto, a reciclagem química surge como uma inovação promissora para superar essas barreiras e ampliar as possibilidades de reutilização de plásticos.

INOVAÇÃO ATRAVÉS DA RECICLAGEM MOLECULAR

A reciclagem química, também conhecida como reciclagem avançada ou molecular, apresenta-se como uma solução inovadora para os desafios atuais. Este processo permite a transformação de resíduos plásticos, especialmente aqueles de composição complexa ou contaminados, em matérias-primas de alta qualidade, equivalentes às originais. Diferentemente da reciclagem mecânica, a reciclagem molecular pode processar misturas de plásticos e tolerar certos níveis de contaminantes, como tintas, rótulos e papéis, ampliando o espectro de materiais recicláveis. Com isso, um volume maior de embalagens deixa de ser descartada em aterros.

Além disso, a reciclagem molecular permite a produção de plásticos reciclados de alta qualidade, sem comprometer as propriedades do material, tampouco a processabilidade, o que é essencial para aplicações que exigem padrões elevados de estética e desempenho.

Diferentemente da reciclagem mecânica, que degrada as propriedades dos plásticos a cada ciclo, a reciclagem molecular permite a quebra dos polímeros em suas unidades químicas originais, criando resinas recicladas de qualidade idêntica à virgem, sem comprometer performance ou segurança.

Esse processo não apenas aumenta a circularidade do plástico, mas também reduz as emissões de carbono em comparação à produção de resinas a partir de fontes fósseis. Com a reciclagem molecular, plásticos que antes eram descartados agora têm valor como matéria-prima renovável.

OPORTUNIDADES PARA O SETOR DE EMBALAGENS

Para a indústria de embalagens, a reciclagem molecular representa uma oportunidade única de fechar o ciclo dos plásticos e atender às crescentes demandas por soluções sustentáveis.

A economia circular já não é apenas uma meta futura, ela é real e já está sendo aplicada agora. Com investimentos contínuos e políticas de incentivo, a reciclagem molecular pode transformar a forma como a indústria lida com resíduos plásticos, garantindo um futuro mais sustentável para o setor de embalagens.

Ao complementar as limitações da reciclagem mecânica, a reciclagem molecular reaproveita uma gama mais ampla de resíduos plásticos, contribuindo para a redução do impacto ambiental e promovendo a sustentabilidade na indústria de embalagens. Para que essa transição seja bem-sucedida, é fundamental o investimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento, além de políticas públicas que incentivem práticas sustentáveis e a integração de novas tecnologias no setor.

Autor
Colunista Alessandra Lancellotti

Graduada em Engenharia Química e pós-graduada em Marketing.
Possui 20 anos de experiência profissional, sendo mais de 10 anos na área de plásticos.