20 de fevereiro de 2026
Foto de borracha parra lápis e caneta. Escrito "fake news".

Desde cedo aprendemos que a borracha vermelha apagava lápis e a azul apagava caneta, um mito que se tornou verdade escolar e atravessou gerações, inquestionável como uma lei da natureza.

Eu mesmo, quando criança, usei o lado azul para apagar tinta tinteiro e esferográfica, mas ficava frustrado, pois, além de ser ineficiente, rasurava o papel a ponto de perfurar a folha do caderno. E mesmo assim, embora evitasse seu uso, o mito persistiu.

Podemos dizer que o lado azul da borracha virou símbolo de uma crença que se repetiu até virar tradição, mesmo sem funcionar. E assim seguimos, adultos, repetindo versões mal apagadas e rasuradas da realidade e até em vários aspectos da vida.

Analogamente, podemos inferir que o papel da borracha está sendo transferido para o plástico, acusado, julgado, rotulado e condenado nas mídias, eventos e palestras por crimes que, muitas vezes, não cometeu sozinho, na verdade ele é o bode expiatório.

O plástico é o novo vilão da vez, prático, leve, reciclável e, em muitos casos, insubstituível, pois devemos literalmente nossas vidas a ele, mas o tratamos como se fosse o próprio símbolo da decadência ambiental.

A manchete persistente, com um tom de cientificismo, reflete essa imagem incorreta, mais sedutora que a verdade, de que o plástico não tem pernas.

É curioso como as pessoas que acreditaram na borracha azul acreditam agora que basta trocar o plástico por vidro, metal ou papel e o mundo estará salvo, ledo engano.

Cada material possui características inquestionáveis de aplicação e, em sua obtenção, cada um consome a energia, a mineração e a água necessárias para chegar às indústrias. Depois disso, isso é com os seres humanos.

A questão talvez não seja apagar o que foi dito, mas escrever melhor o que vem depois. A borracha azul nunca apagou a caneta, mas ensinou uma lição: a crença popular tem mais força que a fricção com a realidade.

E no caso do plástico, a verdade ainda está sendo escrita entre mitos e dados, seguimos tentando apagar o erro com o lado correto da borracha, pois hoje sabemos que o lado vermelho apaga marcas de lápis em papéis comuns e o azul marcas de lápis em papéis ou outros materiais com superfícies mais resistentes.

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Autor
Colunista Mauricio Camim Filho

Consultor de Embalagens, Diretor e Fundador do canal PackTalk