20 de fevereiro de 2026
Foto dos produtos apresentados na Cop30.

Belém esteve no centro das atenções do mundo com a COP 30. E Belém, como poucas cidades, traduz o Brasil em sua essência: riqueza e pobreza caminhando lado a lado. Uma cidade que ainda carece de infraestrutura, que precisa cuidar muito melhor da sua gente, da floresta que a sustenta e dos produtos que nascem desse território extraordinário.

E, ainda assim, vimos iniciativas inspiradoras. Produtos incríveis. Histórias que merecem ser contadas, e protegidas.

Um excelente exemplo é a Biscoitos Mariqueti, da Mariqueti Doceria, marca conhecida, querida e popular em Belém do Pará. Biscoitos artesanais, sabores regionais, identidade local. Vendidos em latas decoradas, eles carregam não apenas produto, mas memória, afeto e cultura.

Uma marca genuinamente paraense, que utiliza ingredientes locais como cupuaçu e castanha- do-Brasil, entregando ao consumidor um sabor autêntico da Amazônia.

A Mariqueti representa aquilo que acreditamos: uma empresa que soube se apresentar ao mercado por meio de embalagens que protegem, identificam a marca, são convenientes, belas, seguras e sustentáveis.

A embalagem está bem resolvida. Porém, a realidade se impõe: com fornecedores concentrados no Sudeste, surgem os desafios de lotes, prazos, logística e custos. Manter boas embalagens em uma cidade distante dos grandes polos fornecedores é, ainda, um enorme obstáculo.

E a Mariqueti é exceção. Centenas de outras empresas precisam de apoio para viabilizar embalagens adequadas para seus produtos — doces caseiros, chocolates, cosméticos, entre tantos outros.

O SEBRAE levou para a zona verde da COP centenas de produtos locais. Uma iniciativa valiosa. Mas ficou evidente que muitos careciam de orientação em embalagem: proteção adequada, shelf-life, identificação clara, atratividade no ponto de venda.

Produtos deliciosos, bons, feitos com cuidado, porém sem uma embalagem à altura do que entregam. O doce de leite de coco de babaçu da Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB), por exemplo, precisava de um design que contasse melhor a história do produto e da própria cooperativa.

Outros potes de doces delicados também careciam de direcionamento, de soluções técnicas, de indicação de fornecedores.

O mesmo se via nos biscoitos e chocolates: embalagens aquém da qualidade do produto que vestiam. Forrar caixas com folhas é lindo, é poético,mas como escalar? Como garantir segurança, repetibilidade e mercado?

Por isso, acredito que nós, que conhecemos os recursos, as soluções e o poder transformador das embalagens, precisamos nos mobilizar. Orientar cooperativas e pequenas empresas para que tenham embalagens mais competitivas, mais adequadas, mais justas com seus produtos.

Quem quiser e puder se juntar a nós, o convite está feito. Para juntos construirmos: Embalagem melhor, Mundo melhor!

Autor
Colunista Assunta Napolitano Camilo

Diretora do Instituto de Embalagens