10 de abril de 2026

O desenvolvimento de embalagens é muito mais abrangente do que simplesmente embalar um produto. Uma série de atributos são imprescindíveis nessa jornada, que à primeira vista parece algo simples, mas tem muitas variáveis que precisam de atenção. Algumas delas seguem listadas abaixo.

Produto a ser embalado: Cada produto tem características e necessidades diferentes. Uns necessitam de condições controladas de temperatura e umidade, enquanto outros demandam uma embalagem que garanta boa resistência ao empilhamento. Cada sistema terá suas necessidades, e entendê-las é fundamental para o bom dimensionamento do sistema de embalagem em questão.

Público-alvo: Desde a forma de expor o produto até a comunicação com o consumidor, tudo depende do público-alvo a ser atendido. Além disso, conhecer o consumidor pode até influenciar na forma de abertura de uma embalagem e na experiência de consumo. Um produto para ser compartilhado entre amigos, por exemplo, precisa ter uma abertura que permita que todos se sirvam de forma prática. Já um produto para crianças precisa ser fácil de abrir e intuitivo. Agora, um produto para uma rede de restaurantes precisa ser embalado e distribuído em caixas mais compactas e em quantidades menores, a fim de ocupar pouco espaço nas lojas.

Envase: A forma como o produto será envasado tem relação direta com a especificação dos materiais a serem utilizados na fabricação da embalagem. Uma linha de envase manual requer um determinado nível de atenção, enquanto uma linha de envase automático, de alto desempenho e performance, exige um controle ainda mais rigoroso dos parâmetros de processo. A ausência de foco em características críticas de qualidade (como C.O.F. ou direção de fibra) pode inviabilizar o uso do material, resultando em paradas de linha, desperdícios e perdas tanto de embala- gem quanto de produto.

Armazenamento: Sabemos que, normalmente, quanto maior o lote de compra de uma embalagem, mais competitivo o preço desse material, em virtude da diluição de custos com setup e ferramental. Entretanto, é importante ter em mente que as embalagens também têm validade e, depois de muito tempo armazenadas, podem trazer problemas no momento da sua utilização.

Transporte: Com o custo dos fretes cada vez mais altos, o desenvolvimento de soluções ainda mais otimizadas de embalagem, utilizando cubagens mais eficientes, se faz necessário. Recomenda-se sempre estudar muito bem o sistema de embalagem logo no início do processo, não deixando de analisar, por exemplo, o padrão de paletização apenas no final do projeto. Por vezes, pela rapidez com que um produto precisa ser lançado, as embalagens primárias e secundárias são desenvolvidas sem a devida atenção na embalagem de transporte, gerando paletizações finais com baixa ocupação volumétrica nos paletes, o que gera gastos excessivos e desnecessários com armazenamento e transporte. Uma visão ampliada da cadeia de suprimentos, incluindo operações logísticas, e-commerce e rastreabilidade irão conferir um desempenho melhor em sistemas de picking e transporte, contribuindo diretamente na eficiência operacional. Além disso, a incorporação de tecnologias digitais, como “QR Code” (dinâmicos) e sistemas de rastreabilidade, abre novas possibilidades de interação com o consumidor e controle da cadeia.

Sustentabilidade: Sustentabilidade deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito básico no desenvolvimento de embalagens. Mais do que a simples redução de material, é fundamental considerar aspectos como reciclabilidade efetiva, uso de resinas recicladas (PCR), estruturas monomateriais e avaliação do ciclo de vida (ACV). Além disso, a conformidade com legislações ambientais cada vez mais restritivas exige que o desenvolvimento seja feito de forma integrada com fornecedores e clientes, garantindo viabilidade técnica sem comprometer desempenho.

Tecnologia e embalagens ativas: Outro ponto relevante é o avanço das embalagens ativas e inteligentes, que agregam funcionalidade além da proteção passiva. Tecnologias como absorvedores de oxigênio, controle de umidade, agentes antimicrobianos e indicadores de frescor vêm sendo cada vez mais utilizadas, principalmente em alimentos perecíveis. Essas soluções permitem aumento de shelf life, redução de perdas e maior segurança alimentar, criando mais valor e competitividade para empresas e consumidores.

Inovação: As novas soluções de embalagem, desde materiais mais econômicos e sustentáveis até sistemas mais otimizados do envase ao armazenamento, estão em constante evolução. Tanto por necessidade frente às novas legislações quanto com o objetivo de trazer mais eficiência e performance nas linhas de envase.

Essas são algumas das variáveis que não podem ser esquecidas, dentre tantas outras. Vale ressaltar que muita novidade tem surgido ano a ano, trazendo soluções cada vez mais interessantes ao setor de embalagens. Neste ano, inclusive, teremos mais uma edição da Interpack, a principal feira mundial da indústria de embalagens e processos relacionados, agendada para ocorrer de 7 a 13 de maio de 2026, em Düsseldorf, Alemanha. O evento foca em inovações de sustentabilidade, novos materiais para embalagem, automação, eficiência de recursos e tecnologias digitais para alimentos, bebidas, farmacêuticos e cosméticos. Uma excelente oportunidade de conhecer as novidades!

Autor
Colunista Renato Larocca

Diretor da SIDE Consultoria de Embalagens.

Autor
Colunista Alvaro Azanha

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