No mês de janeiro, ao iniciar uma consultoria fora do Brasil, experiência que por si só já amplia o campo de visão, tive o privilégio de compartilhar longas conversas com um grande amigo que agora reforça o time da Use Caixas/ Use Boxes. E como sempre acontece quando pessoas inquietas se encontram, o assunto extrapolou organogramas, metas e indicadores. Falamos de gente. Mas não apenas de pessoas no sentido funcional, falamos do ser, do querer ser, e do conflito silencioso entre identidade e papel social.
O mundo corporativo vive um paradoxo claro: nunca se falou tanto de liderança, e nunca houve tão poucos líderes de fato.
Uma frase ecoou por dias após essas discussões, especialmente quando tocamos nos temas de liderança e poder: Há uma diferença gigante entre ter o respeito de um líder e apenas ocupar o cargo de líder.
O mercado já percebeu isso. Pesquisas globais de clima organizacional mostram que colaboradores não deixam empresas, deixam gestores. A autoridade concedida pelo cargo não sustenta mais engajamento, lealdade ou performance. Em um mundo onde o talento escolhe onde ficar, o poder hierárquico perdeu força o poder moral ganhou protagonismo. Há uma diferença grandiosa entre ter uma patente alta e ela não significar nada diante da tropa.
Aqui, a metáfora militar é precisa. Nenhuma tropa segue alguém apenas pelos galões no ombro. Ela segue quem entra primeiro no campo, quem sustenta a pressão, quem assume responsabilidade quando o plano falha. O mercado atual é exatamente esse campo de batalha: volátil, ambíguo, imprevisível. E nele, líderes “decorativos” são rapidamente expostos. Liderar nunca foi sobre controle externo, mas sobre domínio interno.
Como esperar que alguém inspire confiança se não governa suas próprias emoções, vaidades e impulsos.
Liderança, não é status é serviço. Não é privilégio é fardo. Não é poder sobre pessoas é responsabilidade pelas pessoas.
Alguns supostos influenciadores vendem a ideia que no momento atual, nada importa se não o resultado. Ideia extremamente perigosa!
Devemos migrar de um modelo de liderança baseado em autoridade formal para um modelo sustentado por pelo menos por três pilares:
- Caráter antes de competência
Competência impressiona, caráter sustenta. Em tempos de crise, pessoas seguem quem é previsível moralmente, não quem fala bonito. - Exemplo antes de discurso
Cultura não é o que está escrito na parede, é o comportamento tolerado na prática. O líder é o termômetro ético do time. - Consciência antes de controle
Microgestão é sintoma de insegurança. Líderes maduros criam contexto, não coleiras. O cargo pode até ser concedido por uma assinatura.
Mas o respeito, esse é conquistado diariamente, na forma como se escuta, se decide, se assume erros e se trata quem não tem poder algum.
No fim, tudo se resume a uma pergunta simples e desconfortável: Se amanhã seu cargo desaparecesse, as pessoas ainda escolheriam te seguir?
Consultor em Desenvolvimento de Embalagens, Inovação Industrial e Otimização de Linhas Produtivas; Especialista em Papel e Celulose; Docente no Instituto Racine.

