As embalagens plásticas flexíveis desempenham papel fundamental na conservação, proteção e transporte de alimentos, produtos de higiene e bens de consumo em geral. Seu desenvolvimento vem sendo cada vez mais orientado por diretrizes de sustentabilidade, impulsionadas por legislações, metas corporativas e expectativas do consumidor.
Nesse contexto, algumas tendências ganham destaque, como a simplificação e a compatibilização de estruturas como soluções de design para a reciclagem (D4R) e a incorporação de resina reciclada pós-consumo (PCR), sem deixar de lado a performance das embalagens. Esses e outros temas foram discutidos na 13ª Conferência Internacional de Embalagens Flexíveis Tappi/Cetea 2025, que aconteceu no Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) de 23 a 25 de setembro no formato híbrido.
A simplificação de estrutura está relacionada à redução da complexidade das embalagens multicamadas e à busca por soluções monomateriais. Tradicionalmente, os plásticos flexíveis são formados pela combinação de diferentes polímeros que proporcionam propriedades como barreira a gases, resistência mecânica e brilho. No entanto, essa diversidade de materiais dificulta a reciclagem, já que a separação de cada polímero é tecnicamente desafiadora e pouco viável em escala industrial.
Associado a isso, a impressão presente pode gerar contaminação no material reciclado e até mesmo comprometer as suas propriedades mecânicas, limitando a aplicação do reciclado. A remoção das camadas de impressão é tecnicamente desafiadora e demanda processos adicionais, muitas vezes economicamente inviáveis em escala industrial.
Algumas soluções comerciais para esses entraves, as quais contribuem para melhorar a circularidade dos materiais plásticos e reduzir os seus impactos ambientais, foram discutidas por especialistas de grandes empresas ligadas ao setor como ExxonMobil, Toyo Ink Brasil, Antilhas, Braskem e Allianza, na Conferência Tappi/Cetea deste ano.
No âmbito da compatibilização de estruturas para a reciclagem, destacam-se os desenvolvimentos de filmes plásticos que combinam grades específicos de polietileno e poliamida projetados para apresentar maior compatibilidade frente aos processos de reciclagem mecânica. Historicamente, a associação entre esses dois polímeros gera limitações significativas nesse processo, pois suas diferenças de polaridade e estrutura química resultam em baixa miscibilidade, comprometendo a qualidade do material reciclado.
Avanços na formulação de grades compatíveis têm permitido melhorar a adesão interfacial e reduzir a separação de fases, garantindo melhores propriedades mecânicas e estabilidade do reciclado. Essa abordagem, explorada na conferência pela UBE, amplia a reciclabilidade de estruturas multicamadas que necessitam da alta barreira a gases fornecida pela poliamida e da processabilidade e versatilidade do polietileno, tornando tais filmes mais alinhados às diretrizes de circularidade e metas de sustentabilidade do setor, temas também abordados pela Yattó.
Outro caminho em expansão é a incorporação de PCR nas embalagens plásticas flexíveis, tema discutido pela Plastiweber. A utilização de resina pós-consumo reciclada em embalagens flexíveis representa um avanço significativo na economia circular, pois promove a reinserção de materiais no ciclo produtivo. Essa prática reduz a dependência de resinas virgens, diminui a pegada de carbono associada à produção e atende a compromissos de sustentabilidade assumidos por diversas empresas.
Como desafios técnicos e regulatórios ainda existem, principalmente relacionados à qualidade, à pureza do PCR e à segurança ao consumidor, avanços em tecnologias de reciclagem química vêm ampliando as possibilidades de aplicação do PCR em contato direto com alimentos para outras resinas além do poli(tereftalato de etileno), cuja reciclagem mecânica é permitida para contato com alimentos pela RDC n° 20 de 26 de março de 2008.
A tendência de sustentabilidade tem direcionado muitos dos desenvolvimentos de novas embalagens, com soluções sendo apresentadas na Tappi/Cetea 2025 pela Universidade Tecnológica Nacional (UTN), da Argentina, e pelas empresas Ecopopoli, Nanox, Avient e Avery Dennison. Contudo, há necessidade de comprovação da efetividade dos ganhos ambientais propostos, conforme foi discutido por empresas como GAIA BioMaterials e Basf, e assegurada a qualidade das novas estruturas e formulações, objeto de discussão apresentado pela Thermo Fischer.
O fato é: os desenvolvimentos de embalagens plásticas flexíveis orientados por aspectos de sustentabilidade não podem deixar de lado o atendimento a requisitos de proteção dos produtos ou de etapas do processamento de alimentos envasados. Quando a embalagem falha em cumprir sua função, há não só o desperdício do material da embalagem, mas também dos recursos naturais usados para a obtenção do produto acondicionado, resultando em impactos ambientais significativamente maiores. Com foco nessa perspectiva de performance de materiais de embalagem, valeu a pena acompanhar na conferência o que dizeram especialistas da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e das empresas Milliken, Nova Chemicals, Dow, Embaquim, Cepalgo e Oben.


Pesquisador do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) do Ital.
Pesquisadora do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) do Ital/Apta/SAA
Pesquisador do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) do Ital.
