O ser humano tem uma necessidade quase instintiva de ser reconhecido. Desde cedo, aprendemos a buscar aprovação da família, dos amigos, dos professores e de todos que nos cercam. E quando entramos no mundo corporativo, essa busca ganha um novo palco.
Passamos a seguir padrões, ajustar discursos e moldar comportamentos. Tudo para sermos aceitos, lembrados e valorizados. Mas a pergunta que faço é: será que isso é saudável?
Por que não podemos simplesmente ser nós mesmos? Por que não expressar o nosso ponto de vista quando não concordamos? Por que não trocar conhecimento, em vez de apenas aceitar por medo de retaliação?
Muitos vão dizer: “Na minha empresa não é assim não…” Será mesmo?
Frases como “infelizmente tenho boletos para pagar” ou “manda quem pode, obedece quem tem juízo” ainda são muito fáceis de serem ouvidas, não é verdade? Mas será que um ambiente assim é realmente saudável para se trabalhar? Será que vale a pena sufocar a própria essência, guardar sentimentos e engolir verdades em troca de reconhecimento?
Os líderes de hoje estão onde estão, sim por mérito, por suas escolhas e pelas alianças que construíram ao longo da jornada. Mas será que, no fundo, estão bem? Estão realizados? Só eles saberão responder isso para si mesmos.
E detalhe: isso não os torna super-heróis, nem detentores da sabedoria absoluta. É importante que saibamos o nosso valor, pois muitos estudam, se capacitam e adquirem conhecimentos que valem ouro! Suas entregas são, sim, relevantes tanto para a companhia quanto para os líderes.
Costuma-se ouvir por aí também: Cuidado! Somos apenas um número. Se sairmos, a empresa não vai parar.” De fato, não vai. Mas será que encontrarão outra pessoa com a mesma qualidade, a mesma dedicação, disponibilidade? o mesmo olhar cuidadoso pelo que faz? Por isso, sim precisam te respeitar como profissional, independente da cadeira que você ocupa.
No ambiente corporativo, o reconhecimento muitas vezes é confundido com enquadramento. “Pertencer” passa a significar “parecer com o grupo”. E quem pensa diferente acaba sendo visto como problema, quando, na verdade, é justamente quem pode provocar evolução.
Mas é preciso lembrar que não existe reconhecimento verdadeiro quando você precisa deixar de ser quem é para obtê-lo.
A autenticidade continua sendo o maior diferencial, e a autorealização, o único reconhecimento que realmente liberta.
Reconhecer o valor do outro é importante, mas reconhecer o próprio valor é essencial.
Porque o dia em que você entender que não precisa mudar quem é para ser aceito, será o dia em que o verdadeiro reconhecimento o interno finalmente acontece.
Graduado em Química com especialização em Engenharia de Embalagens, possuindo 20 anos de experiência profissional na área de embalagens nos segmentos Cosmético, Alimentício e Limpeza.

