20 de fevereiro de 2026

O ser humano tem uma necessidade quase instintiva de ser reconhecido. Desde cedo, aprendemos a buscar aprovação da família, dos amigos, dos professores e de todos que nos cercam. E quando entramos no mundo corporativo, essa busca ganha um novo palco.

Passamos a seguir padrões, ajustar discursos e moldar comportamentos. Tudo para sermos aceitos, lembrados e valorizados. Mas a pergunta que faço é: será que isso é saudável?

Por que não podemos simplesmente ser nós mesmos? Por que não expressar o nosso ponto de vista quando não concordamos? Por que não trocar conhecimento, em vez de apenas aceitar por medo de retaliação?

Muitos vão dizer: “Na minha empresa não é assim não…” Será mesmo?

Frases como “infelizmente tenho boletos para pagar” ou “manda quem pode, obedece quem tem juízo” ainda são muito fáceis de serem ouvidas, não é verdade? Mas será que um ambiente assim é realmente saudável para se trabalhar? Será que vale a pena sufocar a própria essência, guardar sentimentos e engolir verdades em troca de reconhecimento?

Os líderes de hoje estão onde estão, sim por mérito, por suas escolhas e pelas alianças que construíram ao longo da jornada. Mas será que, no fundo, estão bem? Estão realizados? Só eles saberão responder isso para si mesmos.

E detalhe: isso não os torna super-heróis, nem detentores da sabedoria absoluta. É importante que saibamos o nosso valor, pois muitos estudam, se capacitam e adquirem conhecimentos que valem ouro! Suas entregas são, sim, relevantes tanto para a companhia quanto para os líderes.

Costuma-se ouvir por aí também: Cuidado! Somos apenas um número. Se sairmos, a empresa não vai parar.” De fato, não vai. Mas será que encontrarão outra pessoa com a mesma qualidade, a mesma dedicação, disponibilidade? o mesmo olhar cuidadoso pelo que faz? Por isso, sim precisam te respeitar como profissional, independente da cadeira que você ocupa.

No ambiente corporativo, o reconhecimento muitas vezes é confundido com enquadramento. “Pertencer” passa a significar “parecer com o grupo”. E quem pensa diferente acaba sendo visto como problema, quando, na verdade, é justamente quem pode provocar evolução.

Mas é preciso lembrar que não existe reconhecimento verdadeiro quando você precisa deixar de ser quem é para obtê-lo.

A autenticidade continua sendo o maior diferencial, e a autorealização, o único reconhecimento que realmente liberta.

Reconhecer o valor do outro é importante, mas reconhecer o próprio valor é essencial.

Porque o dia em que você entender que não precisa mudar quem é para ser aceito, será o dia em que o verdadeiro reconhecimento o interno finalmente acontece.

Autor
Colunista Leandro Lima Andrade

Graduado em Química com especialização em Engenharia de Embalagens, possuindo 20 anos de experiência profissional na área de embalagens nos segmentos Cosmético, Alimentício e Limpeza.